#Empreender com Arte – Entrevista com Marion Creutzberg

E.Arte – Seu nome
 
Marion – Marion Creutzberg
E.Arte – Qual cidade em que vive?  
Marion – Porto Alegre
E.Arte – Breve histórico: 

Marion – O artesanato me acompanha a vida inteira, mas na época de fazer o vestibular resolvi fazer enfermagem, minha outra paixão.

Assim, segui profissionalmente essa área, fiz mestrado, doutorado e atuo como professora universitária, em tempo integral. O hobby do artesanato sempre continuou, o que fez surgir o blog CRiações em família & cia, no qual relato nossa história familiar com os trabalhos manuais.

Mas o desejo de trabalhar formalmente com artesanato sempre permaneceu e junto com minha família sempre sonhamos em algo  que nos reunisse em torno dessa paixão. Então, o plano ficou para o período de minha aposentadoria, que se aproxima.

E.Arte – Qual a técnica que utiliza? 
Marion – As técnicas são muitas – todas eu mostro no blog. Mas a técnica que escolhemos para a empresa é o trabalho com tecidos, misturando técnicas de estamparia com impressão em algodão e poliéster, costura, patchwork, aplicações. E o foco de nossos produtos está em brinquedos interativos de tecido e peças lúdicas para todas as idades.
E.Arte – Possui alguma marca? 
Marion – Sim, a marca registrada “mãe” é CRiações em família & cia. A linha de brinquedos ganhou uma marca própria este ano, a LudYx.
E.Arte – O que te inspira? 
Marion – Nem sei dizer o que exatamente, pois encontro inspiração em muitas coisas, cenas, situações, imagens, trabalhos manuais. Principalmente, me inspiro fazendo – quanto mais faço, mais vou criando.
E.Arte – Foi difícil descobrir seu estilo? 

Marion – Não sei se posso dizer que tenho um único estilo. De qualquer forma, foi algo natural, que foi sendo experimentado.

No nosso produto atual – os brinquedos – aí sim, temos algumas questões que são básicas, não tanto de estilo, mas de princípios de confecção: brinquedos em tecido (basicamente o algodão cru), com costuras que permitam que o brinquedo seja lavado sem estragar. Isso leva a um determinado estilo. Por exemplo, não se consegue fazer trabalhos como os que se pode fazer com feltro (que é lindo, mas não é adequado às nossas opções), pois o tecido exige acabamentos diferentes.

Outra questão que vai influenciando no estilo é o fato de nossos brinquedos serem submetidos à certificação de conformidade no Inmetro – e isto faz a gente ter um estilo de confecção.

E.Arte – Há quanto tempo você trabalha com arte? 
Marion – Eu tinha 13 anos e já fazia peças para vender: bichinhos de pedra ou bolinhas de gude (aquilo que se faz com biscuit hoje), camisetas pintadas. Eu participava de feiras, revendia em loja de artesanato e aceitava encomendas individuais. Antes disso minha mãe já pedia pra eu pintar peças que ela dava de presente. Então, há muito tempo – uns 40 anos 🙂
 
E.Arte – A família te apoiou no início ou você encontrou alguma resistência? 
Marion – Sempre, foi e é a principal motivação. Os avós, meus pais, minha irmãs, minha filha.
 
E.Arte – Qual a maior dificuldade que já enfrentou? 
Marion – Não saberia citar alguma dificuldade, a não ser a vontade de fazer alguns trabalhos e não ter a matéria prima – mas aí se tornava desafio para achar outras formas de fazer. E se encontrava dificuldade em algum tipo de técnica, sempre fui persistente em encontrar o meu jeito de fazer.
E.Arte – Você ainda atua em outra área, como consegue conciliar as duas atividades? 
Marion – Sim, como comentei, trabalho em tempo integral. Fazer o artesanato me dá muito prazer e acaba sendo quase uma terapia! Mas só consigo dar conta por que já somos uma equipe. Trabalham em peças do atelier 4 artesãs, cada qual com sua função! Além disso tenho a parceria com profissionais em diferentes áreas para desenvolver o negócio.
 
E.Arte- Pretende um dia, trabalhar somente com a arte? 
Marion – Sim! Estou me preparando para isto.
 
 
E.Arte – Como você organiza seu tempo? 
É difícil conciliar a vida pessoal e a profissional? 
Marion – Às vezes sim. A minha atividade profissional principal me envolve bastante e o artesanato agora, com a empresa e a loja virtual, às vezes já exige um bocado, com trabalhos grandes para dar conta. Com isso, acabo diminuindo o tempo para algumas atividades pessoais, para as quais dedicava mais tempo antes.
E.Arte – Tem um ateliê ou local específico para trabalhar? 
Marion – Sim, o meu atelier em casa. Um espaço que permite fazer o artesanato sem interferir no restante da casa. E estou sempre achando formas de manter os espaços da casa funcionais, mesmo quando preciso utilizar outros ambientes [para guardar material, por exemplo].
 
E.Arte – Você dá aulas? De artesanato? 
Marion – Já dei em outro momento, aulas presenciais num curso livre em que havia  a disciplina de trabalhos manuais. Neste momento não, mas pretendo voltar a fazê-lo. 
 
E.Arte- Trabalha somente com encomenda ou pronta-entrega? 
Marion – As duas situações, mas há produtos personalizados que são somente por encomenda. Um exemplo são os trabalhos feitos com base em desenho infantis, que são impressos em desenhos e transformados em peças artesanais, como almofadas, bonecas, dentre outras.
 
E.Arte – Qual o seu público alvo? 
Marion – Nosso público é diversificado: crianças, adolescentes,  adultos (pais, mães), educadores, psicólogos, dentre outros, nos brinquedos e peças lúdicas; lojistas que trabalham com brinquedos interativos, empresas que solicitam o desenvolvimento de brinquedos para sua marca e escolas de educação infantil.
 
E.Arte – Para você, qual a importância da capacitação profissional ou de cursos para se manter atualizado? 
Marion – Na minha formação profissional estudei sempre. Na área da confecção do artesanato fui praticamente autodidata. E agora estou buscando formação na área do empreendedorismo criativo, buscando suporte para profissionalizar a condução da empresa.
 
 
E.Arte – Acha importante a formalização do seu negócio (tornar-se pessoa jurídica)? Você já se formalizou? 
Marion – Sim, já sou formalizada. Iniciei como MEI, mas agora já em fase de transição para microempresa. Se não tivesse formalizado logo, teria perdido muitas oportunidades, como a venda para outras empresas.
 
E.Arte- Descreva as vantagens e desvantagens de viver de seu trabalho artístico? 
Marion – A vantagem será a realização de um sonho meu e de família. Não vejo desvantagens, mas alguns desafios a vencer até que o negócio de consolide.
E.Arte – Possui loja física ou virtual? Se desejar deixe o endereço e/ou o link. 
Marion – Temos uma loja virtual (http://www.criacoesemfamilia.com.br). Além disso, uma forma importante de divulgação e venda de nossos produtos é a parceria com outras lojas virtuais e algumas lojas físicas (podem ser vistas aqui: http://ludyx.com.br/loja/) 
E.Arte –Encontrou muita dificuldade em vender pela internet? O que faz para alavancar suas vendas? 
Marion – Penso que o desafio maior seja a divulgação, a forma de chegar ao nosso cliente e é nisto que invisto para buscar a ampliação das vendas. Tenho uma pessoa que cuida das redes sociais (facebook, instagram, pinterest), mas eu mesma também interajo nas redes sociais, além de fazer as nossas newsletter.

E.Arte – Você tem produtos que possuem selo do INMETRO, conte-nos a respeito. 

Marion – Logo que começamos com a ideia de fazer brinquedos, me ocorreu que para comercializá-los no mercado formal, teriam que seguir a exigência da lei, pela qual é obrigatória a certificação, para garantir a segurança dos brinquedos. Assim, durante 6 meses, antes de lançar a linha dos brinquedos, estudei, me preparei e fizemos o processo de certificação. É um processo um pouco complexo e exige investimento, mas acredito que é o correto e que abriu muitas portas e agregou valor aos brinquedos. Tenho certeza que abrirá mais, pois há empresas que só assim podem fazer parcerias.
 
 
E.Arte – Você vende também por atacado? Aconselha isso a outros criativos? 
Marion – Já comentei acima sobre o cliente-empresa. Já tivemos algumas experiências e foi também um grande aprendizado. Mas foi o que ajudou a ampliar o conhecimento dos nossos produtos. E, como eu disse, só foi possível por termos a certificação pelo inmetro. E a intenção é termos continuamente o cliente-empresa. Quanto a aconselhar a outros criativos, sugiro considerar e avaliar essa possibilidade. Ela permite a gente cuidar da criação e produção – e alguém outro vai se preocupar com a venda!
 
E.Arte – Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Você concorda com isso? Por quê? 

Marion – Acho que é, em grande parte. Mas acho que o mais importante é a boa experiência que o cliente tem comprando da gente – é isto que vai dar sentido e fazer a diferença no mercado do artesanato. 

A boa experiência está relacionada a vários aspectos, dentre os quais destaco: o relacionamento / atendimento, a facilidade de acesso / compreensão com o nosso ambiente de venda (loja virtual ou presencial), à qualidade do produto. Prezo muito por estes três itens, que são os que dão sentido também à propaganda / à divulgação.  

E.Arte – Você faz propaganda local – na sua cidade? Quais os meios que utiliza? 
Marion – Muito pouco, mas tento lembrar de ter sempre meu cartão pra entregar a quem se interessa.
E.Arte – O que você deixaria como mensagem de incentivo para quem está começando ou pensando em montar um negócio com seu próprio talento? 
Marion – Tente, comece e corra atrás do seu desejo. Busque o conhecimento necessário para montar o negócio e desenvolva, ainda mais, o seu talento. Pense que muita gente pode ser mais feliz se puder usufruir do seu talento!

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