#Empreender com Arte – Entrevista com Mari Rodrigues

  • E.Arte – Seu nome
 
Mari – Maria Rodrigues, sim, meu nome é Maria das Graças, mas pode me chamar de Mari, kkkk.

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E.Arte – Qual cidade em que vive?  
Mari – Arraial do Cabo
E.Arte – Breve histórico: 

Mari – Desenho desde pequena e comecei a trabalhar fazendo arte final para etiquetas de roupa aos 17 anos, mesma época que vendi meus primeiros quadros. 

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 Mais tarde com o serviço pastoral na igreja, comecei a fazer cartazes, desenhos e painéis religiosos. Assim começou minha carreira como artista sacra.

Em 2011 montei um blog para mostrar minha arte, foi então que, encantada pelos trabalhos de artesanato, reciclagem e “faça você mesmo” de outras blogueiras, voltei ao artesanato que estava esquecido na minha infância e iniciei nessa jornada de várias descobertas no mundo da criatividade.

E.Arte – Qual a técnica que utiliza? 

Mari – Hoje trabalho com tecido, acessórios femininos e artigos de decoração. Me encantei com a costura, acho que voltei às origens, minha mãe era costureira…SAMSUNG CAMERA PICTURES

Utilizo caixas de leite recicladas como base de algumas carteiras e bolsas, gosto de utilizar esses materiais sempre que posso, pois acho importante essa preocupação ecológica de reutilização de materiais.
Mas ainda continuo pintando quadros, paredes, igrejas. Não consigo deixar as artes plásticas.
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E.Arte – Possui alguma marca? 
Mari – Sim, o Studio Art & Casa. A loja e as bolsas tem a marca Studio A&C.
E.Arte – O que te inspira? 
Mari – Procuro ficar atenta a tudo que acontece, a opinião das clientes (sempre surgem produtos novos  da necessidade e da imaginação de algumas). Gosto de pesquisar, revistas, web… Enfim, tudo que está ao meu redor pode se tornar inspiração.
E.Arte – Foi difícil descobrir seu estilo? 

Mari – Demorado, talvez. Acho que isso surge de maneira natural conforme você vai trabalhando e pode levar tempo. Na pintura eu descobri meu estilo quando um amigo disse que tinha visto uma pintura numa igreja e perguntou se tinha sido eu que havia pintado, quando disse que sim ele falou: “Eu sabia! Tinha seus traços” (meu traçado, meu jeito de pintar), depois teve mais dois episódios parecidos. A partir desses fatos descobri que tinha um jeito único (só meu) de pintar. E é isso que busco em minhas peças artesanais, o diferencial, o único, isso definirá meu estilo.

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E.Arte – Há quanto tempo você trabalha com arte? 
Mari – Como informei no histórico comecei a trabalhar om arte aos 17 anos. Por tanto, 24 anos.
 
E.Arte – A família te apoiou no início ou você encontrou alguma resistência? 
Mari – Um dos meus irmãos pagou meus estudos de desenho. Minha família sempre soube que eu desenhava bem e nunca sofri resistência, mas nunca me incentivou muito. Por exemplo, nunca foram a uma exposição que eu tenha participado ou visitaram uma igreja que eu pintei, quando iam a um casamento ou qualquer outro evento acabavam vendo.
Quanto ao trabalho que tenho hoje, encaram como algo natural, pois apenas segui o que sempre soube fazer, arte.
 E.Arte – Consegue imaginar ter seguido outro caminho profissional?pint2
Mari – Não. Até tentei, fui vendedora, operadora de telemarketing, mas nunca consegui me imaginar num ambiente corporativo e fechado. Sempre gostei da liberdade que a arte proporciona.
Mas também tentei outras vertentes, como o teatro, sim, já subi num palco e interpretei. Sempre me imaginei no meio da arte.
 
E.Arte – Qual a maior dificuldade que já enfrentou? 
Mari – Ainda enfrento, me sinto sozinha nesse caminho. Sou a única na minha família que segui por esse caminho e muitas vezes parece que estou falando grego, um ET no meio de terráqueos que acham que trabalhar é somente cumprir o horário habitual de 8 às 18h em algum lugar fora de casa.
E.Arte – Mesmo dentro da arte, você mudou de ramo. Foi difícil essa transição?
Mari – Foi uma escolha consciente eu deixar o trabalho pesado das pinturas em igrejas, trabalhar fora o dia inteiro, subir em andaimes, algumas vezes viajar para outra cidade. Eu decidi trabalhar em casa, mais próxima do meu filho, participando de seu crescimento.
Mas confesso que ainda não consegui a estabilidade financeira que tinha com a arte sacra. Mas o meu trabalho na confecção de peças e quadros decorativos se tornaram minha atividade principal.
E.Arte – Você ainda trabalha com arte sacra? 
Mari – Se alguma igreja me chamar para trabalhar, vou sim. Aprendi a pintar fazendo as pinturas religiosas e encaro isso também como uma missão, mesmo porquê, é um trabalho difícil de achar profissionais qualificados. 
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E.Arte – Como você organiza seu tempo? 
É difícil conciliar a vida pessoal e a profissional? 
Mari – Tenho consciência de que preciso trabalhar 8 horas por dia, mas tenho minhas obrigações com a casa, os cuidados e a educação do meu filho, além de ter um tempo para mim. Por isso, distribuo essas 8 horas ao longo do dia. Também preciso organizar minhas atividades semanais, pois tenho que fazer toda a parte da web, loja virtual, redes sociais, gravação e edição de vídeo. É preciso ser disciplinada, é muito difícil conciliar tudo isso.
E.Arte – Tem um ateliê ou local específico para trabalhar? 
Mari – Sim, num quarto de minha casa. é um lugar específico para meu trabalho. Todos sabem que quando estou lá, estou trabalhando.
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E.Arte – Você dá aulas de artesanato? 
Mari – Já dei aulas de pintura e desenho. Hoje estou iniciando uma nova etapa com cursos onlines.
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E.Arte- Trabalha somente com encomenda ou pronta-entrega? 
Mari – Gosto de trabalhar com pronta entrega. Mas se surgir alguma encomenda eu faço.
 
E.Arte – Qual o seu público alvo? 
Mari – Definir o público alvo é muito importante. Meu publico é feminino, imagino uma mulher casada, com filhos e que trabalha. Por isso, a proposta do Studio Art&Casa é colorir o mundo ao seu redor, ou seja, tudo o que envolve essa Persona, sua casa, seus filhos e claro, para ela própria.
 
E.Arte – Para você, qual a importância da capacitação profissional ou de cursos para se manter atualizado? 
Mari – A capacitação é algo primordial, para você se atualizar e literalmente se capacitar para esse mercado de arte. Mas é sempre importante saber que essa capacitação é uma base para você lançar seus próprios vôos e fazer suas próprias descobertas.
 
 
E.Arte – Acha importante a formalização do seu negócio (tornar-se pessoa jurídica)? Você já se formalizou? 
Mari – Sim, acho importantíssimo. Antes eu era autônoma e agora sou Empreendedora Individual, o que me garantiu os benefícios quando precisei, o salário maternidade na época em que tive o Tiago.
 
E.Arte- Descreva as vantagens e desvantagens de viver de seu trabalho artístico? 
Mari – A liberdade, como citei acima para mim é a maior vantagem. Liberdade para você se expressar através do trabalho, liberdade de fazer o que ama e com isso ser mais feliz, liberdade de parar um pouquinho se o seu filho precisar de você, liberdade de continuar sendo um pouco criança e enquanto a maioria das pessoas estão num lugar fechado com pessoas que nem sempre gostam de ficar, você está em meio aos pincéis, tintas, tecidos, linhas, escutando uma boa música e sorrindo.
A desvantagem não é propriamente uma desvantagem e sim uma luta diária, você se manter na rotina de trabalho de maneira eficaz e mostrar, através de suas atitudes, que apesar de você está em casa (a maioria dos ateliês são em casa) você está trabalhando.
E.Arte – Possui loja física ou virtual? Se desejar deixe o endereço e/ou o link. 
Mari – Sim. http://www.studioaec.com.br/ e no Elo7 http://www.elo7.com.br/studioartecasa
E.Arte –Encontrou muita dificuldade em vender pela internet? O que faz para alavancar suas vendas? 
Mari – A divulgação é sempre algo trabalhoso, é necessário estar presente nas redes sociais. Também divulgo em grupos e algumas vezes faço um anúncio para impulsionar uma publicação.
E.Arte – Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Você concorda com isso? Por quê? 
Mari – Sem a propaganda quase ninguém te acha. É algo muito importante e o melhor é a propaganda que fazem de você, o “boca a boca” também funciona no mundo virtual.

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E.Arte – Você faz propaganda local – na sua cidade? Quais os meios que utiliza? 
Mari – No momento não.
E.Arte – O que você deixaria como mensagem de incentivo para quem está começando ou pensando em montar um negócio com seu próprio talento? 
Mari – Não desista, persista! Escolher trabalhar fazendo o que ama não é fácil, mas todos os caminhos profissionais são difíceis e acredite, quando você não ama o que faz o difícil se torna um sacrifício.
Trabalhar com o que ama é compensador, mas é necessário fazer umas observações: É preciso avaliar-se todo o tempo, cuidado para não ficar abarrotada de encomendas e não ter mais tempo para sua família ou para você, ficar com olheiras de noites e noites acordada, isso vai te igualar a um executivo cheio de reuniões que não tem mais tempo de jogar futebol com o filho ou jantar fora com a esposa.tr1
Mantenha-se bonita, não é porque você está em casa que vai trabalhar de qualquer jeito, pode chegar um cliente de repente, mas não por isso. Arrumar-se e ficar cheirosa para trabalhar aumenta a autoestima e te empodera.
Cuide do seu local de trabalho, é difícil, mas mantenha-o organizado. Isso vai te poupar tempo na hora de procurar aquele aviamento perdido e não se distraia, horário de trabalho deve ser cumprido.
Acima de tudo trabalhe com um sorriso no rosto, espalhe cor e amor por onde você passar e mostre ao mundo amar vale à pena, inclusive no trabalho.

6 comentários no post “#Empreender com Arte – Entrevista com Mari Rodrigues

  1. Mari,
    Parabens pela entrevista! Vc eh uma artista excepcional! E, te acho versátil, mas a arte sacra me encanta.
    Se tiver oportunidade continue investindo nessa arte.
    Gostaria de ser disciplinada e mais organizada com as artes, estou tentando… Mas, vc eh incrível na organização.
    Bjs e uma semana de muitas bencaos!


    • Em seguida a Mari responderá! Me encantei também com essa história de arte saca da Mari. Estou planejando ir conhecer uma igreja pintada por ela 🙂


    • Oi Lucia, obrigada pelo carinho!
      Também gosto muito da arte sacra, é algo que não tenho a pretensão de deixar de fazer, ao contrário quero ter um site exclusivo para essa arte. Espero que em 2016 eu consiga sair com esse projeto do papel.
      Bjos!


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